Bronquiolite no bebé: sintomas e quando procurar ajuda
A bronquiolite começa como uma constipação e costuma tratar-se em casa. Saiba como aliviar o bebé, que sinais pedem ajuda e quem recebe o anticorpo contra o VSR.

A bronquiolite é uma infeção causada por vírus que inflama os bronquíolos, os canais mais finos dos pulmões. É muito frequente nos dois primeiros anos de vida, sobretudo entre novembro e abril, e o vírus sincicial respiratório (VSR) causa a maior parte dos casos. Começa com o nariz entupido e a pingar e, dois ou três dias depois, surgem tosse e uma respiração mais rápida ou ruidosa. Os dias mais difíceis costumam ser entre o 3.º e o 5.º dia, e depois o bebé vai melhorando.
Na maioria dos bebés, a bronquiolite trata-se em casa. Não há medicamento que a cure: o que ajuda é limpar o nariz com soro fisiológico, oferecer mamadas mais curtas e mais frequentes, deixar o bebé descansar e vigiar a respiração. Antibióticos, xaropes para a tosse e nebulizações não estão indicados por rotina.
O risco de doença grave é maior nos bebés com menos de 12 semanas, nos prematuros, nos que têm doença do coração, dos pulmões, neurológica ou do sistema imunitário e nos que estão expostos ao fumo do tabaco. Nestes casos, peça avaliação médica mesmo que os sintomas pareçam ligeiros. Nesta época, os bebés nascidos desde 1 de abril de 2026 podem receber gratuitamente um anticorpo que os protege da doença grave por VSR.
Como a bronquiolite evolui, dia a dia
Saber o percurso habitual evita sustos: é comum o bebé piorar antes de melhorar. Nos primeiros dois dias parece uma constipação, com nariz entupido, corrimento e, por vezes, febre. Entre o 3.º e o 5.º dia aumentam a tosse e o esforço para respirar, pode ouvir-se pieira (um assobio no peito) e o bebé pode cansar-se a mamar. A melhoria chega habitualmente a partir do 5.º ao 7.º dia, embora a tosse possa durar até três semanas.

O que decide se o bebé precisa de ser visto não é o dia da doença, mas a forma como respira, come e reage. Por isso, vigie com mais atenção entre o 3.º e o 5.º dia, também durante a noite.
É contagiosa?
Sim, muito. O vírus passa pelas secreções do nariz e da boca, pela tosse e pelas mãos ou objetos contaminados, onde sobrevive várias horas. Os sintomas aparecem entre 2 e 8 dias depois do contágio. É frequente o bebé apanhá-lo de um irmão mais velho ou de um adulto com uma constipação ligeira.
Sinais de alarme e onde pedir ajuda
Na bronquiolite, a respiração e a alimentação dizem mais do que a temperatura. Observe o bebé acordado e calmo, de preferência depois de lhe limpar o nariz: o nariz entupido também aumenta o esforço para respirar e, depois de limpo, é mais fácil perceber se a dificuldade continua.
Como reconhecer o esforço para respirar
- Tiragem: a pele afunda entre as costelas ou por baixo delas a cada inspiração.
- Adejo nasal: as narinas abrem e fecham a cada respiração.
- Gemido: um som curto no fim de cada expiração.
- Respiração muito rápida e cansada, com o bebé sem forças para mamar.
Se tiver de descrever a respiração ao telefone, conte os movimentos do peito durante um minuto inteiro, com o bebé calmo e sem chorar. Esse número ajuda o profissional a avaliar a situação.
Quando contactar o SNS 24
Ligue para o SNS 24 (808 24 24 24) se o bebé:
- Respira com mais dificuldade ou fica mais cansado e irritado, sobretudo durante as mamadas.
- Come menos de metade do habitual em duas ou mais refeições.
- Vomita com frequência e em grande quantidade.
- Recusa mamar ou beber durante mais de 4 a 6 horas.
- Tem a fralda seca há mais de 12 horas.
O SNS 24 avalia a situação por telefone e indica onde o bebé deve ser visto.
Quando ir à urgência
Procure a urgência pediátrica se notar tiragem, adejo nasal, gemido ou respiração muito rápida e cansada, se o bebé comeu menos de metade do habitual nas últimas 24 horas ou se estiver invulgarmente parado e sem reação. Se tiver dúvidas sobre onde ir, o SNS 24 orienta. Num bebé com menos de 12 semanas, prematuro ou com doença crónica, não espere por estes sinais: peça avaliação médica logo que surjam os sintomas.
A febre também conta. Num bebé com menos de 3 meses, uma temperatura de 38 °C ou mais pede avaliação urgente. Para os mais velhos, veja quando a febre no bebé pede um profissional de saúde.
Como aliviar o bebé em casa
Os cuidados em casa não curam a infeção, mas ajudam o bebé a respirar, comer e descansar melhor enquanto ela passa.
Nariz limpo antes de mamar e de dormir
Os bebés pequenos respiram sobretudo pelo nariz, por isso um nariz entupido dificulta logo a mamada. Pingue soro fisiológico numa narina de cada vez, com o bebé ao colo e mais direito, antes das mamadas e do sono. Use só soro fisiológico simples: as gotas descongestionantes não estão indicadas.
Se houver muitas secreções, pode aspirá-las com suavidade, mas não o faça por rotina: aspirar muitas vezes irrita e incha o interior do nariz. Se ainda não tem um aspirador, comparámos aspiradores nasais para bebé, manuais e elétricos.
Mamadas mais curtas e mais frequentes
Com a respiração acelerada, o bebé cansa-se a mamar. Ofereça o peito ou o biberão mais vezes, em quantidades menores e com pausas, e continue a amamentar: o leite materno está associado a menos internamentos por bronquiolite. Depois de mamar, mantenha-o mais direito ao colo durante algum tempo.
Para saber se está a beber o suficiente, conte as fraldas molhadas. Uma fralda seca durante mais de 12 horas é motivo para ligar ao SNS 24.
Dormir de costas, sem almofadas nem inclinações
Mesmo doente, o bebé dorme de costas, no berço, num colchão firme e sem almofadas, rolos, cunhas ou peluches à volta. As orientações portuguesas para a bronquiolite referem elevar um pouco a cabeceira. Se o fizer, a inclinação deve ser ligeira e nada pode ficar solto junto do bebé: a Academia Americana de Pediatria considera inseguras para dormir as superfícies macias e as que têm mais de 10 graus de inclinação. Pelo mesmo motivo, não o deixe dormir na espreguiçadeira, no ovo ou num ninho almofadado.
Deixe-o descansar, mexa-lhe o menos possível e vá vê-lo com regularidade, também à noite. Acordado e ao colo, mantê-lo mais direito ajuda-o a respirar.
Febre e desconforto
Se a febre o deixar desconfortável, pergunte ao médico ou ao farmacêutico qual o medicamento e a dose certos para a idade e o peso do bebé. Não tente baixar a temperatura com banhos ou toalhas de água fria.
Xaropes, antibióticos e outros tratamentos sem indicação
Como a bronquiolite é causada por um vírus e costuma passar sozinha, a norma da DGS sobre bronquiolite desaconselha por rotina vários tratamentos que ainda são muito pedidos:
- Antibióticos, a não ser que o médico diagnostique também uma infeção bacteriana, como uma otite.
- Xaropes para a tosse, expetorantes, anti-histamínicos e descongestionantes, em xarope ou em gotas para o nariz.
- Broncodilatadores e corticoides, seja em bomba, nebulização ou xarope.
- Cinesiterapia respiratória, a fisioterapia para soltar secreções.
- Humidificadores, vapores e homeopatia.
Se o médico receitou algum destes tratamentos ao seu bebé, esclareça as dúvidas com ele antes de mudar alguma coisa. Em casa, o que faz diferença continua a ser o nariz limpo, as mamadas e a vigilância.
Prevenção: cuidados diários e anticorpo contra o VSR
Medidas que reduzem o contágio
- Lave as mãos antes de pegar no bebé e peça o mesmo a quem o visita. É a medida de prevenção mais eficaz.
- Quem está constipado, mesmo com sintomas ligeiros, deve adiar a visita ou evitar o contacto próximo, sobretudo com recém-nascidos e prematuros. Veja as regras para visitar um recém-nascido.
- Nos meses frios, evite levar o bebé a espaços fechados com muita gente.
- Não fume nem deixe fumar em casa ou perto do bebé. O fumo do tabaco aumenta o risco de bronquiolite e torna-a mais grave.
- Se amamenta, continue: o leite materno também protege contra infeções.
O anticorpo contra o VSR em 2026-2027
O nirsevimab é um anticorpo monoclonal: dá ao bebé anticorpos já prontos contra o VSR, em vez de o ensinar a produzi-los, como faz uma vacina. É gratuito e a campanha decorre de 16 de setembro de 2026 a 31 de março de 2027. Segundo as perguntas frequentes da DGS, têm indicação:
- Todos os bebés nascidos entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027. Os que nascem a partir de 16 de setembro de 2026 recebem-no na maternidade, pública, privada ou social; os nascidos entre 1 de abril e 15 de setembro de 2026 recebem-no no centro de saúde.
- Bebés prematuros, nascidos até às 33 semanas e 6 dias de gestação entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026, que ainda não o tenham recebido.
- Crianças com doenças que aumentam o risco de infeção grave por VSR, como cardiopatias, doença pulmonar crónica, doença neuromuscular com compromisso respiratório ou imunodeficiência grave, que vão entrar na segunda época de VSR e tinham menos de 24 meses a 30 de setembro de 2026.
Se o seu bebé tem indicação e ainda não o recebeu, contacte o centro de saúde para marcar. O anticorpo não se vende nas farmácias e, nesta campanha, só está disponível para estes grupos. Se a mãe recebeu a vacina contra o VSR na gravidez mais de 14 dias antes do parto, o bebé já fica protegido nos primeiros meses e, na maioria dos casos, não precisa do anticorpo.
A proteção dura pelo menos 5 a 6 meses. O efeito secundário mais frequente é uma erupção na pele nas duas semanas seguintes, geralmente ligeira; febre ou reação no local da injeção são pouco frequentes. O anticorpo previne a doença grave por VSR, mas outros vírus também causam bronquiolite, por isso os sinais de alarme continuam a contar num bebé imunizado.




